Com 131 anos o Espaço Cultural Barros Junior tem, literalmente, muita história para contar. Em poucas linhas traça-se aqui um histórico com os principais pontos de sua existência.
. Fundação do Grêmio Musical Saltense
Fundado em 24 de Dezembro de 1878 o atual Espaço Cultural Barros Junior nasceu da ideia de um grupo de músicos sobre a formação de uma Banda sob a liderança de Joaquim Florindo e João de Assis, seus fundadores formais e, tendo como seu primeiro mestre, João Manquinho, tocador de Oficleide (instrumento predecessor da Tuba), que viriam então a constituir o "Grêmio Musical Saltense". Este grupo teria participação marcante em vários eventos e competições municipais e regionais. Foi posteriormente reorganizado, em 1880, pelo Dr. Francisco Fernando de Barros Junior, que em formação era Engenheiro Civil, mas carinhosamente chamado de Doutor. O "Espaço Cultural Barros Junior" ganha este nome em sua homenagem já que, além de grande patrocinador do Grêmio Musical, o Dr. Barros Junior promovia verdadeiras obras tanto adminstrativas quanto assistenciais em sua estada na cidade de Salto.
. Barros Junior - uma Homenagem e Gratidão / Biografia
Barros Junior por Lubra - José Roncoleta
Obra pertencente ao Acervo do Museu da Cidade de Salto
Nascido em 17 de Março de 1856, na hoje Capivari (na época chamada Vila de Capivari), localidade vizinha da Estância Turística de Salto (à época esta era denominada Salto de Ytu), no interior do estado de São Paulo, Francisco Fernando de Barros Junior é saudado como "Pai dos Saltenses" por sua atuação em diversos momentos em política e em questões de saúde e cultura.
O "Pai dos Saltenses"
Conhecido como Dr. Barros Junior, Francisco Fernando de Barros Junior é homenageado pelo Espaço Cultural por ter sido o responsável por - entre outras coisas relevantes realizadas para a cidade de Salto/SP - ter conduzido enquanto Patrono auxiliando com recursos próprios o então Grêmio Musical Saltense a partir do ano de 1880. Esse Grêmio havia sido idealizado anteriormente por 6 músicos que iniciaram as atividades formais na noite de 24 de Dezembro de 1878 para comemorar o Natal daquele ano e que saíram pelas ruas da localidade tocando alegremente os seus instrumentos.
O Dr. Barros Junior era natural da (na época assim denominada) Vila de Capivari, que atualmente é Capivari, cidade vizinha de Salto. Formado em Engenharia Civil nos Estados Unidos da América, ao voltar ao Brasil se estabeleceu na "Salto de Ytu" (antiga denominação de Salto) e, em 1882, inauguraria a sua fábrica de tecelagem, denominada Fortuna, que foi a segunda da localidade, precedida pela de José Galvão da França Pacheco Júnior, de nome Júpiter. Aliás, o antigo nome Salto de Ytu é redundante pois Ytu, em Tupi, significa Salto. Em 1917 um dos últimos feitos de Barros Junior foi conseguir a nova denominação para a cidade que passaria a ser chamada simplesmente por Salto. Convém notar que a cidade anteriormente fez parte da atual vizinha Itu e o desmembramento e autonomia também já havia sido anteriormente conseguido pelo Dr. Barros Junior. Republicano e Abolicionista convicto lutou por esses ideais na política. Na Imprensa também divulgava ideais renovadores publicando com seu colega Tancredo do Amaral o "Correio do Salto". Como Abolicionista ainda auxiliou vários escravos a adquirirem a liberdade e conta-se até um fato curioso: quando questionado por seu pai sobre os escravos que ele ajudou a fugir ele respondeu: "É tarde, meu pai, agora eles são livres.".
Além desses feitos nas áreas industrial, política e social, o Dr. Barros Junior teve papel importantíssimo no controle de uma epidemia de Varíola (conhecida por Bexiga - pois deixava nas pessoas contaminadas várias bolhas - e que causou o falecimento de grande parte da população daquela época). Barros Junior, que na época ocupava o que seria hoje o cargo de Prefeito da cidade, construiu três lazaretos - que eram os locais onde os doentes eram levados para tratamento e para evitarem de espalhar a doença para outras pessoas - e também procurava "espantar" tanto a doença quanto a tristeza da população ao promover com as músicas tocadas pelo Grêmio Musical e com fogos de artifício pelas ruas da cidade uma celebração pela vida, pelo otimismo, pela esperança.
Por esses e outros feitos o Dr. Barros Junior é (re)conhecido como "Pai dos Saltenses". O Espaço Cultural Barros Junior procura eternizar seu nome, sua memória, com o seu nome sempre estampado e procurando sempre divulgar os seus feitos. Barros Junior promovia, ainda, Saraus em sua Quinta (sua morada, sua chácara - na confluência das hoje Rua Dr. Barros Junior e Rua 9 de Julho) e também costumava deixar o seu Gramofone na janela para que as pessoas na região pudessem ouvir as músicas dos discos pelo aparelho tocadas.
Morreu pobre, aos 62 anos de idade, de gripe espanhola, no dia 2 de Novembro de 1918. Seu túmulo tem sido há anos homenageado - sempre na data de sua morte, no Dia de Finados - por músicos do atual Espaço Cultural. Hoje esse túmulo e outros túmulos fazem parte do então criado "Circuito da Memória" que é um roteiro cultural que presta uma delicada e dedicada lembrança das pessoas que tiveram seus nomes ligados a fatos importantes da cidade.
. A Sede - Prédio / Localização
A sede teve sua pedra fundamental (marco inicial da construção) em 1919 por iniciativa do Maestro Henrique Castellari e até hoje se encontra no mesmo endereço.
Inaugurada em 1.º de Janeiro de 1922, na antiga Rua Monte Alegre, hoje denominada Rua Dr. Barros Junior, com número 397, possui amplo espaço físico que, para melhor atendimento e promoção de cultura realizou há alguns anos e realiza neste ano de 2010 reforma em suas dependências valorizando, em sentidos material e imaterial, toda a obra já feita, tanto no aspecto de preservação material quanto no de memória e referência atual e futura. O piso térreo é constituído de ladrilhos hidráulicos originais e será restaurado bem como sua fachada térrea. Existe um palco onde ocorrem diversas apresentações de artes musicais e corporais. No piso superior - e que não será plenamente contemplado pela atual reforma, existem já salas que servirão para ensaios e outras dependências. Anseia-se ampliar essas possibilidades e apresentar mais manifestações artísticas além das expressões que já ocorrem como Oficinas, Saraus, Palestras, Shows, Exposições e outras atividades artísticas e de Educação Não-Formal. |